Como ser e criar uma rede de apoio

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A gente tem mania de querer fazer tudo sozinho, de tentar "dar conta" como se fôssemos super-heroínas perfeitas. Mas a verdade é que é humanamente impossível ter uma vida equilibrada sem uma rede de apoio. E isso é algo que podemos construir aos poucos, por isso o tema do post de hoje.

Antigamente esse senso de comunidade, apoio e participação era mais aflorado, mas conforme as cidades foram crescendo e a segurança diminuindo, fomos ficando mais focados em nós mesmos, interagindo menos com vizinhos, por exemplo.

Dar carona, fazer as coisas caminhando pelo bairro, deixar os filhos brincando na rua, no play ou na casa de amigos, parece coisa do passado, impossível de acontecer nos dias de hoje. E isso vai nos sobrecarregando, deixando o dia a dia mais tenso. Seria então o fim da rede de apoio e das trocas em comunidade?

Eu acho que não. Claro que é preciso ter bastante cuidado...mas ainda penso que podemos desenvolver laços de confiança com outras famílias (além da nossa própria, claro), para podermos nos ajudar mutuamente.

Eu vi o quanto isso foi importante quando quebrei o tornozelo e fiquei totalmente dependente dos amigos e família para tudo. As mães das amigas da minha filha levavam ela nas festinhas e ajudaram meu marido com os trâmites da escola, minhas amigas e minha irmã se revezavam para me dar comida e levar no médico quando o marido estava trabalhando, a diarista deixava tudo organizado de um jeito que eu pudesse minimamente me virar sozinha.

E como faz pra ter uma rede de apoio? Se abrindo para isso, demonstrando suas vulnerabilidades e sendo você também uma rede de apoio para outras pessoas! Se interesse pelos vizinhos, amigos, colegas dos filhos e seus pais. Conheça as opções de atividades no seu bairro, faça novos amigos, busque grupos de apoio de acordo com a sua necessidade.

Eu sei que o ideal seria que o governo e as empresas pudessem prover melhor qualidade de vida para todos nós, mas enquanto não conseguimos mudar isso, podemos fazer nossa parte aos pouquinhos, nos apoiando. Tá vendo aquela mãe cheia de sacolas na porta da escola? Ajude ela. E aquela criança chorando porque não vê a mãe? Acolhe ela e ajuda a procurar. Tem um idoso na sua frente na fila ou em pé no transporte? Dê o seu lugar. Incentive as amizades dos seus filhos, convidando-os para a sua casa. Ofereça carona para os amigos.

Pequenos gestos como esses que eu sugeri no parágrafo (e muitos outros) acima fazem de você uma rede de apoio. E o mais incrível é que conforme você vai espalhando esses pequenos gestos, a sua rede também vai crescendo a ponto de quando você precisar, ter também como contar com o auxílio de outras pessoas, percebe? Mas você não deve ajudar os outros só para ter ajuda em troca, isso vai acontecer naturalmente.

Outra coisa importante é perceber que instituições como escola, creche, clínicas, além de funcionários contratados, também podem ser considerados rede de apoio. Se você pode pagar para ter um auxílio nas suas atividades do dia a dia, considere isso pois pode te aliviar um pouco da sobrecarga do dia a dia.

Eu percebo que a questão maior na rede de apoio (tanto em ser quanto em criar e usar) é o preconceito que a gente tem com o ato de pedir ajuda. Temos mania de idealizar que precisamos ser autossuficientes e que precisar do outro é algo ruim. Enquanto a gente não naturalizar esse caminho de conexão e auxílio entre as pessoas, vamos continuar sofrendo a sobrecarga sozinhos sonhando com fórmulas mágicas que façam a gente dar conta de tudo.

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