#ResenhaAvessodoCaos livro "O Blackberry de Hamlet" de William Powers

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Imagina um livro que une organização digital e filosofia...agora imagina como eu fiquei lendo o livro...Rpz, nem sei descrever essa experiência sensacional que foi ler o livro O Blackberry de Hamlet do William Powers. Devo confessar que não dava muito pelo livro, achei que ia ser chato. Mas não foi. Deixa eu te explicar porque.

"Estamos sempre conectados porque estamos sempre nos conectando."

Logo no início o cara te coloca pra pensar sobre a sua relação com a tecnologia. Te faz questionar a conexão e refletir sobre a liberdade e prisão disso tudo. No fim das contas, a tecnologia só está potencializando o que já existe em nós enquanto indivíduos e sociedade. Fui rápido demais? Calma, deixa eu listar então aos poucos os pontos de reflexão do livro. Prometo que não vai ser só filosofia (mas já deu pra perceber que vai rolar pesado, né? Então respira fundo), vai rolar dica prática também, combinado?

O livro dá uma introdução ao contexo que a gente tá vivendo de sobrecarga de informação, invasão da tecnologia nas nossas vidas, hiperconectividade, mente cansada, pessoas ocupadas e fuga digital. O mundo agora é digital, mas isso eu acho que você já percebeu, né? A questão é que estamos muito imersos nisso tudo e a gente precisa começar a refletir sobre os impactos dessa revolução digital. E aí, o que o cara faz, e que é genial, é que ele vai buscar dicas de como lidar com isso em personalidades históricas e suas teorias sobre a vida e as suas mudanças.  

A importância da distância (Platão): se distanciar fisicamente da correria, conexão constante com o outro e com o barulho do mundo, ir para um lugar mais calmo e usar a tecnologia apenas como apoio ao pensamento e reflexão. É ter o hábito de ficar sempre que possível em um estado introspectivo, para que seja possível manter um equilíbrio saudável.

"É mais saudável caminhar pelas estradas do campo que pelas ruas da cidade"

Espaço interior (Sêneca): se distanciar fisicamente é muito difícil e na maioria das vezes levamos as distrações para onde vamos, o que não resolve o problema, ainda que não exista conexão, existe a preocupação e a mente em desordem. A resposta então, segundo Sêneca, seria cultivar a autossuficiência interior. O que significa "estar satisfeito consigo mesmo, confiar nos seus instintos e nas suas ideias". Ou seja, não depender da conexão para se sentir bem. 

"Obrigo minha mente a não se distrair com eventos externos. Se não houver tumulto interior, não haverá confusão externa."

Interioridade como negócio (Gutenberg): "novos dispositivos de conexão sempre favoreceram a exterioridade" a questão é o uso que fazemos deles, pois os próprios podem servir para te ajudar ao invés de atrapalhar. A ideia aqui é pensar em como a tecnologia pode te ajudar a se distanciar da multidão e promover a reflexão interior e o distanciamento necessários para sua qualidade de vida.
"No longo prazo, o grande lucro está na interioridade."

Retomar o contato com o antigo (Hamlet): usar a escrita e o papel como uma maneira de controlar e organizar as informações o pensamento. Equilibrar o digital e o analógico para conseguir viver uma vida mais tranquila.

"A questão é a conectividade sufocante e a necessidade humana de trazer de volta para essa equação um pouco de desconexão."

Rituais positivos (Benjamin Franklin): primeiro perceber a necessidade de mudança e depois então criar rotinas, rituais e hábitos que promovam a mudança. Práticas positivas para uma vida melhor com base na convicção interior.

"Para mudar um comportamento arraigado, o indivíduo deve acreditar que precisa mudar. Não é uma questão de como, mas de por quê. A mudança interior depende da convicção interior."

Transformar o lar em refúgio (Thoreau): pensar a sua casa como um lar, um santuário, livre de conexão com o externo, que promova a conexão entre a família. Que ela seja um abrigo contra a multidão. Privacidade e tranquilidade.

"É fácil demais, embora muitas pessoas duvidem, estabelecer em nosso lar hábitos novos e melhores em lugar dos velhos."

Zonas frias (McLuhan): encontrar formas e espaços para que você possa exercer a sua individualidade. Os dispositivos nos afetam de maneiras diferentes, podemos classificar os dispositivos que nos sobrecarregam de quentes e os menos intensos de frios e então regular o clima dos nossos espaços criando zonas frias e quentes, possibilitando o equilíbrio entre a conexão e a desconexão.

"Devemos controlar as novas tecnologias em vez de nos deixar intimidar por elas.

A gente ainda tem muito o que aprender com essa mudança de era que a gente está vivendo. As coisas estão mudando muito rápido e a gente fica tentando acompanhar o ritmo e parece que fica sempre "correndo atrás do rabo". É por isso que parar para refletir é tão importante. Sair do turbilhão e pensar o que é importante, filtrar a informação, usar a tecnologia a nosso favor.

"Como vamos nos livrar do turbilhão criado por nossa inventividade?"

Eu acho que cada um vai encontrar sua maneira. Mas primeiro, e mais importante, é preciso identificar essa necessidade e olhar pra dentro para perceber o equilíbrio ideal para você.
Enfim, deu pra perceber que eu super curti o livro e super recomendo né? Então fica a dia.
E você, já leu esse livro? Curtiu as dicas para lidar com as mudanças da era digital? Quais as suas dicas?

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