Rotina Infantil

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Criança precisa de rotina. E não sou eu que tô falando só porque acredito na organização como ferramenta de bem-estar. Especialistas falam. E eu vejo com a minha filha a diferença que faz. 

Mês passado eu fiz um post no Instagram com a foto do quadro com a rotina da minha filha e esse post bombou muito. Muita gente querendo aprender a aplicar em casa também. Nesse post eu vou te contar mais sobre isso e te ajudar a definir uma rotina viável para as crianças.  
Já adianto que ele ficou um pouco maior do que eu gostaria, mas prometo que foi por uma boa causa.

Algum tempo atrás, lendo alguns artigos sobre educação, me deparei com a seguinte frase: 

"Escolher e estabelecer uma rotina é importante e necessário para o desenvolvimento da independência e autonomia infantil." 

Assim que eu lí, pensei: massa, era isso mesmo que eu queria para a minha filha. Mas o fato é que eu não sabia exatamente porque era bom, eu só sabia que funcionava. Nesse artigo um dos pontos que justifica a importância da rotina é que ela promove a previsibilidade e deixa as crianças seguras sobre o que vai acontecer. 

Se colocando no lugar das crianças, viver sem rotina é viver em um mundo novo, em que não sabemos o que vai acontecer, não sabemos porque as coisas acontecem, não entendemos ainda muito bem como elas funcionam. Será que vai ter comida quando eu tiver fome? Será que meu pai e minha mãe vão estar sempre por perto quando eu precisar? Será que eu vou me machucar? Será que eu vou poder brincar depois da escola?

Quando você introduz a rotina você deixa a criança segura. Ela sabe que vai ter o tempo de estudar, vai ter hora pra comer, vai poder brincar, vai ter um tempo com os pais. Parece pouco, mas é o suficiente para acalmá-las. Eu vi isso acontecer claramente no início do período letivo esse ano com a minha filha. Ela mudou de escola para uma muito maior e diferente do que ela estava acostumada e os primeiros dias foram completamente caóticos. Ela estava irritada, apegada, sensivel. E eu precisava voltar ao trabalho e ficava nervosa, obrigando ela a fazer as coisas o que tornava tudo muito pior. 

Já estava muito mal quando pensei: quer saber, vou fazer com ela o que eu faço comigo, vou organizar a rotina dela, vou estabelecer regras, vou parar com essa confusão já. E criei a rotina. E funcionou. Eu achava que era porque ela agora tinha que me respeitar pois haveriam consequências. Mas não era isso. Ela não ligava para os castigos, nunca ligou. Ela melhorou porque a rotina fez ela se sentir segura. Ela sabia que ia poder ficar comigo quando voltasse da escola. Ela sabia que ia dar tempo de brincar ou ver TV a noite antes de dormir. E pensando bem, não é isso também que a rotina faz com a gente? Ela organiza tudo para que a gente possa focar no que realmente importa sem ter que se preocupar com o que virá a seguir, se vai dar tempo, se vamos conseguir fazer tudo que precisamos e queremos. Só um lembrete: para funcionar, é preciso também adquirir o hábito. Cumprir a rotina fielmente nos primeiros dias para que a criança entenda que as coisas mudaram.

Tá bom, mas e como estabelecer essa rotina? O que fazer? A partir de que idade?
Vamos lá, a partir dos dois anos usualmente a criança já entende, já anda, já se comunica melhor, o que facilita o estabelecimento de uma rotina. Mas só você pode sentir e experimentar por aí para saber se é o momento certo. Eu desde a Clarice bebe já tentava aos poucos ter hora para dormir, mamar, banho, brincar. Isso facilitava a minha vida na verdade e acabou fazendo bem pra ela também.

Quanto a como estabelecer, faça o seguinte:
  • Liste todas as atividades que precisam ser feitas diariamente (lembre-se dos deslocamentos e outros detalhes. para a criança faz diferença se vocês vão para a escola de carro ou de metrô, por exemplo). Ainda não precisa se preocupar com ordem ou horários.
  • Pense no seu filho e no tempo que ele precisa para realizar essas atividades listadas. Por exemplo: ele gosta da hora do banho e aproveita para brincar? Então coloque um tempo maior para esse momento. 
  • Garanta que vai deixar entre 8 e 12 horas para o sono, que vai incluir as refeições e momentos de lazer.
  • Distribua as atividades nos horários. Lembre-se que para a rotina funcionar ela precisa estar de acordo com a sua rotina e com a rotina da casa. Não adianta dizer que vai ter a hora da história antes de dormir se você não vai conseguir tempo na sua rotina para fazer isso diariamente.
  • E a última coisa é: apresente a rotina de maneira lúdica. Faça desenhos, escreva em um local visível, peça a ajuda dos pequenos, faça um teatrinho contando como vai funcionar. Explique a importância de seguir os horários para que vocês possam ter tempo de fazer tudo o que está previsto (inclusive as brincadeiras).

É mais fácil do que parece, prometo. As crianças surpreendem a gente.

Voltando a frase do início sobre a importância da rotina, ela também me fez pensar sobre o motivo de tantos pais reagirem negativamente a estabelecer rotinas para as crianças. Talvez a gente não esteja mesmo preparado para ver nosso filho se tornar independente tão cedo. A gente quer proteger, a gente tem medo. E quanto a isso eu ví essa semana um vídeo do Murilo Gun no curso dele CRI CRI CRI (Criando crianças criativas) em que ele fala exatamente isso, que a gente está vivendo uma época em que a superproteção dos pais pode estar limitando o desenvolvimento dos filhos. E ele colocou uma frase de Julie Lythcoot-Haims que ilustra isso:

"A educação deixou de preparar nossos filhos para a vida e passou a protegê-los dela." 

E esse é um dos perigos também dependendo da forma com a qual você for estabelecer a rotina dos pequenos. Porque a rotina, como muitas outras coisas na vida, é só uma ferramenta. Você pode também fazer muito mal para a criança se usá-la de maneira exagerada, incluindo muitos compromissos e atividades sem respeitar a individualidade dos seus filhos. Para estabelecer qualquer rotina para quem quer que seja o ingrediente principal é que a rotina atenda as necessidades dessa pessoa e não que vire um roteiro massificado sem espaço para sua individualidade.

E aí, pronto para colocar em prática? Ficou alguma dúvida? Deixa o comentário aqui ou me manda um email pra gente conversar mais sobre o assunto.

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