#ResenhaAvessodoCaos "Menos é mais"

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Confesso que flerto com a ideia de falar sobre minimalismo aqui a bastante tempo. Mas ao mesmo tempo confesso que sempre tive um pouco de resistência com a ideia radical de viver com muito pouco. Porque era assim que eu via o minimalismo, como uma teoria radical e fria. Até ler esse livro. Francine Jay fala de uma maneira tão tranquila, prática e longe do radical que dá vontade de aplicar. Se organizar sob esse ponto de vista é uma consequência de algo muito maior. Quase todos os capítulos têm post-its. Seguem alguns pontos que me chamaram mais atenção e podem gerar insights por ai também.
  • As 3 categorias: Úteis, bonitas e afetivas. A ideia é que as coisas que possuímos devem estar ligadas à uma dessas 3 classificações para simplificar o processo de triagem e descarte. Isso já me ganhou porque o lance todo do minimalismo me dava medo justamente quando passava pela minha cabeça reduzir a beleza e afetividade na minha vida. Pensar em uma casa fria me incomodava.  Mas pensar que podemos ter poucos itens práticos, agradáveis aos olhos e alguns objetos afetivos que nos fazem tão bem que valem o espaço já me alivia bastante e relaxa a ponto de, quebrado o preconceito, me abrir a ideia do minimalismo como estilo de vida.
  • "Coisas de aspiração". Um outro tema que o livro aborda que achei bem legal. A visão de que parte das coisas que possuímos serve apenas ao objetivo de projetar uma imagem do que achamos que deveríamos ser ou para provar algo que somos ou fizemos. Quando não somos as coisas em si na verdade.
  • Temos que ser bons porteiros. Ser um bom porteiro é avaliar bem antes de deixar algo entrar na nossa casa e na nossa vida. É eliminar o problema na fonte, impedir a entrada de coisas evita o stress do processo de descarte posteriormente.
  • A vida é o espaço entre as nossas coisas. Isso é sensacional. A importância do espaço. Espaço por si só já é muito valioso. A gente não precisa encher de coisa. Não precisamos ocupar todos os espaços,  assim como não precisamos preencher todos os silêncios (papo filosófico). A vida também é feita de vazio e a gente precisa aprender a aceitar e lidar com ele.
  • Aproveitar sem possuir. Abre a mente para valorizar experiências ao invés de coisas. E explorar coisas como pegar emprestado, usar espaços externos e públicos,  conviver em sociedade.
  • Processo de organização. Aqui é o método de organização em si. Nada muito diferente do que já vemos em livros de organização, mas com a carinha da autora.
    • Recomece: essa é a etapa de esvaziar o que quer que esteja organizando para depois avaliar e colocar de volta.
    • Tralha, Tesouro ou Transferência: são nossas velhas amigas triagem e descarte.
    • Um motivo para cada objeto: ainda falando sobre triagem é a decisão de manter os objetos que estejam nas três categorias que comentei acima.
    • Cada coisa em seu lugar: definir um lugar para as coisas e retorná-las para seu local de origem. Aqui ela cria o conceito de dividir o espaço em círculo próximo, círculo distante e estoque oculto conforme o grau de utilização do objeto. Ou seja, é o conceito de manter objetos de maior uso mais próximos.
    • Todas as superfícies vazias: é uma dica que eu costumo dar e até fiz uma frase sobre isso. Superfícies vazias dão uma sensação de conforto e estimulam o uso de uma maneira mais focada. Superfícies não são para armazenar coisas e sim para realizar tarefas.
    • Módulos: reunir objetos de função semelhante, ou seja, categorizar e setorizar. ;)
    • Limites: essa ideia é legal e fala sobre definir um limite de coisas de um determinado tipo ou categoria para evitar o acumulo exagerado.
    • Entra um, sai outro: seguindo o ponto anterior, para não ultrapassar os limites determinados, quando algo entra algo antigo deve sair.
    • Restrinja: tentar reduzir a necessidade de objetos preferindo os multifuncionais. Definir a sua necessidade básica e viver com isso. Achar seu número magico como ela diz. Tudo bem manter bibelôs de viagem, mas qual o seu limite? Cada um define o seu obviamente mas tudo deve ter um limite.
    • Manutenção diária: o nome já diz.  Um pequeno cuidado diario para garantir a continuidade da organização, afinal organização é um habito.
  • Organização cômodo por cômodo. Ela vai aplicando o processo em cada comodo da casa.
  • Presentes e objetos afetivos. Achei bem interessante o que ela falou sobre isso, tanto que fiz um post inspirada nisso, lembra? Falei sobre objetos afetivos aqui e sobre presentes aqui.
  • Mudanças positivas no mundo. O livro fala também sobre avaliar e ter consciência das consequências de nossas ações no mundo. Nossas decisões de consumo tem um custo ambiental.  Eu falei sobre consumo e organização nesse post aqui, lembra?

Acho que é sempre bom reduzir o nosso impacto negativo no mundo sem abrir mão do que nos faz bem, né? 

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